Com 40,46% da população parcialmente vacinada, Chile vê aumento de infecções

Edson Jorge Silveira | 20/04/2021 | 5:03 PM |

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fonte: BBC

O número de casos diários atingiu um novo recorde no dia 9 de abril, passando de 9.000 pela primeira vez desde o início da pandemia e consideravelmente mais alto do que o pico anterior de pouco menos de 7.000 casos em meados de junho.

“É preocupante”, disse Enrique Paris, ministro da saúde.

“Estamos passando por um momento crítico de pandemia … Peço que cuidem de si mesmos, de seus entes queridos, de suas famílias.”

As unidades de terapia intensiva estão novamente sobrecarregadas, o país fechou pela segunda vez suas fronteiras para todos os que não são residentes e a maioria de seus 18 milhões de habitantes estão novamente confinados.

“Parece que estamos retrocedendo”, diz Sofía Pinto, moradora de Santiago (capital do país).

“Precisamos baixar licenças especiais online para ter permissão para sair apenas duas vezes por semana para coisas essenciais, como compras de alimentos ou consultas médicas”, explicou.

A frustração e confusão que muitos chilenos estão sentindo com o novo bloqueio se deve em parte ao fato de que, há apenas dois meses, o presidente Sebastián Piñera estava se gabando de que o Chile tinha uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo.

O que deu errado?

Críticos acusam o governo de Piñera de ter afrouxado as restrições ao coronavírus muito rápido.

Embora a implementação da vacinação tenha sido realmente rápida, ela só começou no final de dezembro, com os profissionais de saúde na linha de frente, aqueles com mais de 90 anos e os professores em primeiro lugar.

A grande maioria dos chilenos ainda não teria sido vacinada quando se reuniram com parentes e amigos nas férias de verão em janeiro e fevereiro.

Acrescente a isso a disseminação de novas variantes do vírus, mais facilmente transmissíveis, como a variante P.1, que se acredita ter surgido no estado do Amazonas, no Brasil, em novembro.

CoronaVac

Também há uma grande desinformação local sobre como funciona a vacina que a grande maioria do país recebeu, explica a prof. Susan Bueno,professora de imunologia da Pontifícia Universidade Católica.

Mais de 93% das doses administradas no Chile até agora foram CoronaVac, produzido pela empresa biofarmacêutica Sinovac, com sede em Pequim.

Os dados sobre a eficácia da vacina CoronaVac são variados. Ensaios brasileiros sugeriram uma taxa de eficácia de cerca de 50,4%, mas os resultados de ensaios em estágio avançado na Indonésia e na Turquia sugeriram uma taxa muito mais alta – entre 65% e 83%.

O que sabemos sobre as vacinas Covid-19 da China?

Um estudo publicado pela Universidade do Chile na semana passada (em espanhol) analisou o nível de proteção que a vacina ofereceu após a primeira e a segunda doses.

Ele sugeriu que o CoronaVac foi 56,5% eficaz na proteção das pessoas após terem recebido a segunda dose, mas o número foi de apenas 3% no intervalo de tempo entre a primeira e a segunda doses.

Isso pode dar uma pista importante de por que os casos ainda podem estar aumentando no Chile, onde mais de 7,6 milhões de pessoas receberam a primeira injeção, mas o número daqueles que receberam a primeira e a segunda doses é muito menor.


imagem: BBC America Latina

Segunda dose é a chave

A dra. Susan Bueno, que é a diretor científica do ensaio clínico para vacinas CoronaVac no Chile, diz que cumprir o esquema de vacinação completo é, portanto, primordial. “Apenas uma dose não dá a resposta preventiva completa”, explica ela.

“São necessários duas doses antes que a vacina funcione corretamente. E mesmo assim, ainda precisamos ter cuidado, seguir o distanciamento social e outras medidas de segurança”.

Ela diz estar convencida de que os dados mostram que a Coronavac funciona.

No ensaio que mostrou uma taxa de eficácia de cerca de 50%, muitos dos infectados apresentavam apenas sintomas leves ou eram assintomáticos.

Ela enfatiza que o importante é que ninguém no estudo precisou ir para a terapia intensiva.

“A CoronaVac previne mortes e doenças graves e também está se mostrando eficaz contra a variante brasileira” explicou.

 

 

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