Comer menos aumenta a expectativa de vida em 30%

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Yoshinori Ohsumi  é biologista celular e professor da Universidade de Tóquio.

O japonês Yoshinori Ohsumi foi premiado em 2016 com o Nobel de Medicina por sua pesquisa sobre autofagia, um processo de limpeza e de “reciclagem” das células.

Restrição calórica atingida pelos efeitos do jejum podem aumentar a expectativa de vida em 30%

Sabe aquela regrinha básica de comer de 3 em 3 horas? Pois bem, parece que alguém de peso do mundo acadêmico discorda dela.

Um grupo de cientistas está pesquisando os efeitos que o jejum (ou o corte radical de calorias) pode promover na qualidade de vida.

A alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para uma boa saúde, porém já é sabido que a privação de alimentos de forma controlada pode ativar mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade.

Trocando em miúdos: deixar de se alimentar – de maneira controlada, racional e equilibrada – pode te render alguns aninhos de vida a mais.


AUTOFAGIA

É um processo de degradação e reciclagem de componentes da célula […] todas as células realizam autofagia.

Inicialmente, os cientistas acreditavam que a autofagia induzia à morte da célula. Hoje em dia sabe-se que é um processo que garante a sobrevivência das células.

O termo autofagia deriva do grego e significa “comer a si próprio”, ou seja, a célula digere partes de si mesma e ocorre quando o organismo carece de alimentos e revervas energéticas. É nesse momento que a célula começa a digerir suas partes como forma de garantir a sua sobrevivência.

A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. (ex: quando alguém fuma um cigarro ou deixa de se alimentar)

Para sobreviver, a célula passa a “comer” partes internas, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona ‘maior a limpeza interna’.

“A autofagia não fica ativa o tempo todo. Mas a restrição de nutrientes é uma forma de burlar isso”


“O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina.

De acordo com a professora, a maioria dos estudos feitos até hoje foi realizado com animais.


MENOS CALORIAS = AUMENTO DO TEMPO DE VIDA

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é restringindo o consumo de alimentos.

A redução de calorias ingeridas dever variar entre 20% e 60%, segundo indicam as pesquisas.

A diminuição prolongada de consumo de nutrientes aumenta a autofagia”.  explica Luciana Gomes, pesquisadora do Laboratório de Reparo de DNA da USP.

A redução ocorreria principalmente no consumo de carboidratos e proteínas.


ALERTA – TUDO TEM LIMITE!

Se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos.

A célula poderia começar a degradar componentes bons, que funcionam […] o ideal seria conseguir estimular a autofagia (faxina interna) em tempo certo, sem excessos.

É justamente isso que os cientistas pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica necessários para garantir efeitos benéficos sem causar prejuízos às células.

Estudos feitos em humanos que mostram que o jejum, se bem monitorado, traz benefícios a longo prazo.

“Não se trata de um jejum prolongado. O tempo pode variar de 12 e a 24 horas (no máximo). E também pode ser específico, de alguns nutrientes, como carboidratos e proteínas”.

Durante a ausência dessa alimentação, é fundamental manter o consumo de água e sais para não provocar um aumento da pressão arterial ou até mesmo uma desidratação.

Um soro pode cumprir essa função.

E um detalhe importantíssimo: o jejum só poderia ser feito por pessoas saudáveis.


JEJUAR OU CORTAR A ALIMENTAÇÃO? QUAL A MELHOR OPÇÃO?

Para que se tenha um aumento significativo da expectativa de vida a longo prazo, o jejum deve ser feito de forma periódica e acompanhado por profissionais adequados.

“Não adianta fazer um jejum hoje e outro no ano que vem”.

Com relação à redução calórica, ela precisa ser permanente para produzir efeitos, algo que é extremamente difícil de se conseguir.

“Como é necessário ter muita disciplina para reduzir as calorias de maneira definitiva, surgiu a busca para confirmar se o ‘jejum intermitente’ conseguiria levar aos mesmos efeitos”, explica Luciana Gomes, pesquisadora da USP.

Quanto à restrição calórica, ela relata que: “em testes realizados com animais, aqueles que foram mantidos desde o nascimento com um número reduzido de calorias,tiveram um aumento na expectativa de vida de aproximadamente 30%.”



 

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