Estudo de Oxford contesta números: “Itália é caso atípico. Mortes diretas pelo vírus chinês podem representar apenas 12%”

Guilherme Santiago | 27/03/2020 | 8:45 PM | INTERNACIONAL
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“99% dos mortos tinham condições de saúde pré-existentes” diz o estudo

Imprecisão seria devido ao método de classificação das mortes utilizado na Itália, que pode estar superestimando a letalidade do vírus

Segundo estudo publicado pela Universidade de Oxford no último dia 20, e atualizado na quarta-feira (25), as mortes diretamente ocasionadas pelo Covid-19, na Itália, podem representar apenas 12%.

O percentual se refere aos casos em que ficou comprovada a causalidade do vírus chinês, causador da doença.

Isso significa que 88% das mais de 9 mil mortes ocorridas são explicadas pela junção de fatores característicos da Itália e a presença ocasional do coronavírus.

O estudo é do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford … sim, da UNIVERSIDADE DE OXFORD … não se trata de uma ‘fake news’ … segue o link da pesquisa.

A dificuldade de se medir a letalidade do vírus na Itália, segundo o estudo, é a metodologia usada por aquele país, que computa as mortes por Covid-19 como todas as que tenham sido testadas positivo para o vírus, abarcando um enorme número de assintomáticos ou casos que seriam leves se não fosse a presença de comorbidades.

Já no dia 20 de março, um artigo de Sarah Newy buscava responder à pergunta: o covid-19 é a causa de todas as mortes na Itália?

Newy relata que a taxa de mortalidade na Itália pode ser maior principalmente devido à forma como as mortes são registradas.

Se todos os que morrem em hospitais com coronavírus são incluídos nos números de óbitos, como indicou o professor Walter Ricciardi, consultor científico do ministro da Saúde da Itália, isso oculta as verdadeiras causas de tantas mortes que estão sendo usadas para medidas radicais e alarmistas pelo mundo.

“Na reavaliação do Instituto Nacional de Saúde, apenas 12% dos atestados de óbito mostraram uma causalidade direta do coronavírus, enquanto 88% dos pacientes que morreram porque teriam ao menos uma pré-morbidade – muitos tiveram duas ou três”, disse o dr. Ricciardi.

Registrar o número de pessoas que morrem como ‘causa mortis’ Coronavírus, inflará a CFR (Case Fatality Rates -taxa de mortalidade).

Em 17 de março de 2020, o Relatório do Instituto Nacional de Saúde da Itália analisou 355 mortes e encontrou apenas três pacientes (0,8%) sem condições médicas anormais anteriores.

De acordo com o relatório, 99% dos que morreram tinham uma condição de saúde pré-existente:

► 49% tinham três ou mais problemas de saúde;
► 26% tinham duas outras ‘patologias’;
► 25% tinham uma;

Os problemas mais comuns nos 355 que morreram foram:

► 76% de pressão alta;
► 36% de diabetes;
► 33% de cardiopatia isquêmica;

A idade média dos pacientes falecidos e positivos para COVID-19 foi de 79,5 anos (mediana 80,5, faixa 31-103, InterQuartile – IQR 74,3-85,9).

As mulheres que morreram após contrair a infecção por COVID-19 eram mais velhas que os homens (idade média: mulheres 83,7 – homens 79,5).

A Itália também tem os maiores índices de resistência a antibióticos na Europa, o que obviamente afeta o tratamento gerando maior número de pneumonias em pacientes de Covid-19 e, por fim, óbitos.

Outro fator preponderante é o percentual de fumantes: 24% é fumante; na população masculina, o número chega a 28%. Na Inglaterra, por exemplo, 15% são fumantes.

Os estudiosos compilaram uma tabela com dados até 25/03, que mostra no topo o caso de Bangladesh com 12% de mortalidade por Covid-19, seguido de San Marino (11%) e Italia (9,86%).  A Espanha fica na sétima posição, com 7%.

O Brasil está entre as mais baixas mortalidades registradas, com 2%.

Mais abaixo, EUA com 1,4% e Polônia, com 1,3%.

Entre as menores mortalidades estão a Alemanha (0,5%), Noruega (0,4%), Austrália (0,37%) e Israel com 0,23%.

CHINA

Na China, a CFR (taxa de mortalidade) foi  maior nos estágios iniciais do surto  (17% para os casos de 1 a 10 de janeiro) e reduzida para 0,7% nos pacientes com início dos sintomas após 1 de fevereiro.

ATUALIZAÇÃO 21 DE MARÇO:

Resumo de um relatório de 72 314 casos do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças. Os dados também são relatados nas Características Epidemiológicas de um Surto de Novas Doenças de Coronavírus de 2019 (COVID-19) – China, 2020 ( semanal China CDC ).

A curva epidêmica do início dos sintomas atingiu o pico entre 23 e 26 de janeiro e começou a declinar até 11 de fevereiro. A maioria dos casos tinha entre 30 e 79 anos (87%), 1% com idade ≤9 anos, 1% com idade entre 10 e 19 anos e 3% com 80 anos ou mais.

O CFR foi de 2,3% (1.023 mortes / 44.672 casos confirmados).

Os CFRs relatados por idade foram;

Idade (óbitos / casos) CFR (IC 95%)
≤ 9 anos (0/416) 0%
10 a 19 anos (1/549) 0,18% (0,03 a 1,02%)
20 a 49 anos (63/19790) 0,32% (0,25% a 0,41%)
50 a 59 anos (130 / 10.008) 1,3% (1,1% a 1,5%)
60 a 69 anos (309/8583) 3,6% (3,2% a 4,0%)
70 a 79 anos (312/3918) 8,0% (7,2% a 8,9%)
≥ 80 anos (208/1408) 14,8% (13,0% a 16,7%)

Pacientes com condições comórbidas apresentaram taxas de CFR muito mais altas:

Condição* CFR
Doença cardiovascular 10,5%
Diabetes 7,3%
Doença respiratória crônica 6,3%
Hipertensão 6,0%
Câncer 5,6%
Sem comorbidades 0,9%

 

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