Impeachment de Bolsonaro não é opção e sim obrigação

01/04/2021

Em primeiro lugar, ser contra as atitudes anti-republicanas (e anti-humanas) de Bolsonaro não significa apoiar a volta da esquerda ao poder.

Em discurso realizado na tarde de ontem (31), o presidente da República estava visivelmente contrariado ao anunciar a liberação do Auxílio Emergencial (bolsa-esmola … sim, não há outra definição).

Bolsonaro também destacou que não irá “fechar o país” e que “o povo deve voltar a trabalhar imediatamente”.

Mais uma vez, ele culpou governadores e prefeitos pela quebra da economia.

Trocando em miúdos, o presidente da república quis dizer o seguinte:

“Ou você morre em casa (com fome) ou você morre na rua (com o vírus). Não tenho obrigação de sustentar você”

E nós, presidente? Temos obrigação de sustentar a máquina pública com seus milhares de sanguessugas?

Que guerra é essa onde somente os peões se sacrificam?

O governo TEM SIM obrigação de sustentar os mais desprotegidos, incluindo comerciantes e pequenos empresários. Pra que serve imposto nessa [email protected]# de país?

Além do mais, o erro de não ter comprado vacinas na época certa não foi dos comerciantes e sim do governo federal. Quem tem que arcar com o ônus da ‘cagada’ é justamente o governo federal.

Chega! Pare de tapear o povo. Mesmo que todo o comércio pudesse funcionar normalmente, o estrago já está feito. Os clientes não teriam dinheiro para gastar. Levará algum tempo até que o dinheiro possa ‘aparecer’ de novo.

Frieza, descompaixão, ignorância, falta de capacidade e liderança, egoísmo e ausência de remorso (traços de psicopatia) foram as características que pude perceber no discurso da liderança máxima do país.

Há pouco mais de um ano, quando pouco se sabia sobre a mortalidade do vírus, os líderes conservadores Donald Trump (EUA), Boris Johnson (Reino Unido) e Benjamin Netanyahu (Israel) assumiram todos os riscos perante a pandemia ao comprar milhões de vacinas (ainda não aprovadas na época) … até o tucano João Dória foi mais sensato e se adiantou à tragédia.

Deram um tiro no escuro … e acertaram. Agiram como verdadeiros estadistas.

Salvaram (e continuam salvando) milhões de vidas.

Bolsonaro não seguiu a mesma linha. Preferiu dar ouvidos a Paulo Guedes. Pensou somente em dinheiro, dinheiro e dinheiro.

Deu a desculpa esfarrapada de que ‘cláusulas contratuais dos laboratórios não eram bem claras’. Conversa fiada.

Faltou ao presidente da república capacidade de agir de modo republicano e proteger sua população desprotegida contra a covid-19, algo que ele jamais compreendeu ou fingiu não compreender.

Em editorial publicado ontem, o site Congresso em Foco definiu (acertadamente) as atitudes de Bolsonaro da seguinte maneira:

“Desconhecemos, contudo, algum caso de chefe de governo que tenha cometidos tantos erros e de forma tão cruel. Bolsonaro chocou o mundo ao anunciar o cancelamento da compra de vacinas. Recusou-se a negociar sua aquisição com outro fabricante, alegando entre possíveis efeitos colaterais a eventual transformação das “vítimas” da vacina em jacarés.

“Lançou campanha de propaganda para incentivar as pessoas a desafiarem normas sanitárias adotadas globalmente. Desdenhou da dor de um povo enlutado ao blasfemar contra um suposto país de maricas.”

“Graças à sua insensibilidade e incompetência, o Brasil virou primeiro motivo de chacota internacional. Depois, fonte explícita de preocupação de consultorias privadas, governantes estrangeiros, cientistas e veículos jornalísticos”

Não presidente! Não insista!

O povo não sairá às ruas para trabalhar até que grande parte da população esteja vacinada. Sua vida (e seu mandato) não valem mais do que a vida de qualquer outro brasileiro.

Não somos seus lacaios. Pelo contrário, você é nosso empregado. Somos nós que pagamos seu salário e mordomias há mais de 30 anos.

Sua arrogância, prepotência e falta de humildade custou milhares de vidas.

Centenas de obras ou estradas asfaltadas não irão apagar a atitude imperdoável que vossa excelência tomou lá atrás ao negar a compra de quase 100 milhões de vacinas. (Pfizer e Coronavac).

Se uma pequena parte da população está vacinada hoje, devemos isso ao governador de São Paulo, gostem dele ou não.

No momento, somos o epicentro global da pandemia.

Segundo o Ministério da Saúde, tivemos nas últimas 24 horas nada menos que 3.869 mortes por covid-19.

Informações do site Worldometer mostram que o total de mortes registradas no dia 29 de março em todo o mundo foi de 7.611.

Esses dados indicam que o Brasil responde agora por perto de 50% dos óbitos mundiais, embora tenha pouco mais de 2,5% da população humana.

O impeachment já não é mais uma questão política e sim uma necessidade para tentar salvar uma Nação massacrada pela incompetência administrativa.

 

 

 

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