Israel alerta: “As vacinas funcionam, mas não o suficiente para conter a variante Delta”

25/08/2021

(por Meredith Wadman, revista Science)

“Estamos em um momento crítico. Estamos correndo contra a pandemia”, disse o Ministro da Saúde de Israel, Nitzan Horowitz, enquanto recebia uma injeção de reforço contra a COVID-19.

A data era 13 de agosto de 2021 … dia em que seu país se tornou a primeira nação a oferecer uma terceira dose da vacina às pessoas.

Israel tem um dos índices de vacinação mais altos do mundo, com 78% dos maiores de 12 anos totalmente vacinados, a grande maioria com a vacina da Pfizer.

Mesmo assim, o país registra atualmente uma das taxas de infecção mais altas do mundo, com quase 650 novos casos diários por milhão de pessoas.

Para se ter um comparativo, o Brasil (com 213 milhões de habitantes) registrou aproximadamente 157 mil novos casos nos últimos 7 dias. Já Israel (com pouco mais de 9 milhões de habitantes) registrou 49.030 casos nos últimos 7 dias.

A experiência de Israel indica que países adiantados na imunização, cedo ou tarde, enfrentarão um aumento repentino de casos devido à variante Delta.

“É um sinal de alerta muito claro para o resto do mundo. Se isso está ocorrendo aqui, provavelmente poderá ocorrer em todos os lugares.”, disse Ran Balicer, diretor de inovação da Clalit Health Services (CHS), a maior organização de saúde de Israel.

“Eu observo [os dados israelenses] muito de perto porque são alguns dos melhores dados que estão surgindo em qualquer lugar do mundo. Israel é modelo. É um laboratório experimental em funcionamento para aprendermos.”, diz David O’Connor, um especialista em sequenciamento viral da Universidade de Wisconsin (EUA).

O que está claro é que esse aumento repentino de casos não são os tais “eventos raros” que se pensava.

No dia 15 de agosto, 514 israelenses foram hospitalizados com COVID-19 grave ou crítico. Desse total, cerca de 59% estavam totalmente vacinados.

Dos vacinados, 87% tinham 60 anos ou mais.

“A maioria dos pacientes hospitalizados está realmente vacinada. As vacinas funcionam, mas não o suficiente.”, disse Uri Shalit, bioinformático do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion) que prestou consultoria sobre COVID-19 para o governo.

Para tentar controlar o aumento de casos, Israel passou a aplicar injeções de reforço (em pessoas acima de 60 anos) desde o dia 30 de julho.

Líderes globais de saúde, incluindo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, imploraram aos países desenvolvidos para não administrar reforços, já que a maioria da população mundial não recebeu nem mesmo uma única dose. As nações ricas que já estão pensando ou já administrando vacinas de reforço até o momento, reservam os imunizantes para aplicar principalmente nas populações especiais, como os imunocomprometidos (pessoas que possuem risco aumentado de complicações infecciosas) e profissionais de saúde.

 

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