Médico chinês que tentou salvar o mundo do coronavírus foi preso pelo regime comunista e acusado de contravenção

Guilherme Santiago | 19/03/2020 | 7:15 PM | INTERNACIONAL
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O médico oftalmologista chinês Li Wenliang (34 anos), que se tornou conhecido por ter feito um alerta sobre o surgimento de uma doença “semelhante à Sars”, morreu no dia 06/02/020, em Wuhan, cidade epicentro da propagação do coronavírus.

Na época, A CNN informou que Wenliang foi internado no dia 12 de janeiro após ter sido infectado pelo vírus — contraído de um paciente.


Li Wenliang tentou alertar sobre surto do coronavírus e foi preso pelo governo chinês

(CNN) Em 30 de dezembro, Li Wenliang (médico de Wuhan, epicentro do coronavírus) lançou uma bomba em um grupo de ex-alunos da escola de medicina no aplicativo chinês de mensagens WeChat:

“Sete pacientes de um mercado local de frutos do mar foram diagnosticados com uma doença semelhante à SARS e colocados em quarentena no hospital em que trabalho” dizia mensagem.

Li explicou que, de acordo com um teste que ele havia presenciado, a doença era coronavírus – proveniente da família de vírus que inclui a síndrome respiratória aguda grave (SARS).

As memórias da SARS na China são profundas … em 2003, uma pandemia matou centenas de pessoas após o encobrimento do governo:

“Eu só queria alertar meus colegas da universidade para serem cuidadosos”, declarou o médico.

Li disse a seus amigos para avisar seus entes queridos em particular, porém em poucas horas as capturas de tela de suas mensagens se tornaram virais – sem que seu nome fosse ocultado.

“Quando os vi circulando on-line, percebi que estava fora de meu controle e provavelmente seria punido”, explicou o médico.

Dias depois da postagem no grupo, Li foi acusado (pela polícia de Wuhan) de espalhar boatos .

Ele foi um dos vários médicos que foram alvos da polícia por tentar alertar sobre o vírus mortal nas primeiras semanas do surto.

Seu diagnóstico provocou indignação em toda a China, onde houve uma reação contra a censura do Estado em torno da doença e um atraso inicial em alertar o público sobre o vírus mortal.

Convocado pela polícia

No mesmo dia em Li enviou uma mensagem para seus amigos, um aviso de emergência foi emitido pela Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, informando às instituições médicas da cidade que uma série de pacientes do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan tinha uma “pneumonia desconhecida”.

O aviso veio com um alerta:

“Não seria permitido que nenhuma organização ou indivíduo divulgasse informações de tratamento público sem autorização”.

Nas primeiras horas de 31 de dezembro, as autoridades de saúde de Wuhan realizaram uma reunião de emergência para discutir o surto.

Logo depois, Li foi convocado pelas autoridades do hospital onde trabalha para explicar como ele sabia dos casos, segundo o jornal estatal Beijing Youth Daily.

Mais tarde naquele dia, as autoridades de Wuhan anunciaram o surto e alertaram a Organização Mundial da Saúde.

Mas os problemas de Li não terminaram aí.

No dia 3 de janeiro, Li foi chamado para uma delegacia de polícia local e repreendido por “espalhar boatos online” e “interromper severamente a ordem social” devido à mensagem que ele enviou no grupo de bate-papo.

Na mensagem, Li disse que os pacientes foram diagnosticados com SARS, citando o resultado do teste que mostrou o patógeno positivo para o vírus SARS com um alto “coeficiente de confiança”.

Numa mensagem subsequente, ele esclareceu que o vírus era realmente um tipo diferente de coronavírus, mas a captura de tela de sua primeira mensagem já havia se espalhado online.

Li teve que assinar uma declaração reconhecendo sua “contravenção” e prometendo não cometer outros “atos ilícitos”.

Ele temia que fosse detido.

“Minha família ficaria preocupada comigo se eu perdesse minha liberdade”, disse ele à CNN por uma mensagem de texto no WeChat.

Felizmente, Li foi autorizado a deixar a delegacia depois de uma hora.

O médico voltou a trabalhar no Hospital Central de Wuhan, sentindo-se impotente. Ele disse:

“Não havia nada que eu pudesse fazer. (Tudo) tem que aderir à linha oficial do governo”.

No dia 10 de janeiro, depois de tratar inconscientemente de um paciente com o coronavírus, Li começou a tossir e desenvolveu febre no dia seguinte.

Ele foi hospitalizado em 12 de janeiro.

Nos dias seguintes, a condição de Li se deteriorou tanto que ele foi internado na unidade de terapia intensiva e recebeu suporte de oxigênio.

Em 1 de fevereiro, ele testou positivo para coronavírus … 11 dias depois, ele faleceu.

Eliminando o surto

Desde o início, as autoridades chinesas queriam controlar as informações sobre o surto, silenciando qualquer voz que diferisse de sua narrativa – independentemente de dizerem a verdade.

No dia 1º de janeiro, a polícia de Wuhan anunciou que havia “tomado medidas legais” contra oito pessoas que recentemente “publicaram e compartilharam rumores on-line” sobre a doença semelhante à pneumonia e “causaram impactos adversos na sociedade”.

“A internet não é uma terra fora da lei … Quaisquer atos ilegais de fabricação, divulgação de boatos e perturbação da ordem social serão punidos pela polícia de acordo com a lei, com tolerância zero”, dizia um comunicado da polícia no Weibo, o Twitter da China.

O anúncio da polícia foi transmitido por todo o país na CCTV, a emissora estatal da China, deixando claro como o governo chinês trataria esses supostos “boateiros”.

Nas duas semanas seguintes, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan foi declarada como única fonte de atualizações sobre os desenvolvimentos do surto.

Cientistas chineses identificaram o patógeno como um novo coronavírus no dia 7 de janeiro.

As autoridades de saúde sustentaram que “não havia evidências óbvias de transmissão de humano para humano, nenhuma infecção havia atingido os profissionais de saúde e o surto era evitável e controlável”.

Em 31 de janeiro, Li escreveu em um post no Weibo falando como ele se sentiu durante esse período:

“Eu estava me perguntando por que os avisos oficiais (do governo) ainda estavam dizendo que não havia transmissão de humano para humano e que não havia profissionais de saúde infectados. “

Então veio um salto repentino de infecções.

Até 17 de janeiro, as autoridades de Wuhan haviam relatado apenas 41 casos do vírus.

Em 20 de janeiro, esse número havia subido para 198.

O governo central comunista assumiu o controle e, no dia 20 de janeiro, o presidente Xi Jinping ordenou “esforços resolutivos para conter a disseminação” do coronavírus e enfatizou a necessidade de divulgação oportuna de informações – foi a primeira vez que Xi abordou publicamente o surto.

Em entrevista à CCTV em 27 de janeiro, o prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, admitiu que seu governo não divulgou informações sobre o coronavírus “em tempo hábil”.

Moral da história

Se as autoridades de saúde de Wuhan tivessem prestado atenção ao aviso do Dr. Li Wenliang  naquela época e tomado medidas preventivas ativas, centenas de vidas seriam salvas e o surto provavelmente teria sido contido.

 


 

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