Médico desabafa: “Pessoas morreram implorando pela hidroxicloroquina”

Amanda Nunes Brückner | 04/09/2020 | 1:05 AM | MÍDIA
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Somente sons de sinos …

Nessa fase final da pandemia, todos os dias tenho escutado relatos duros, no meu consultório por parentes e pacientes doentes que perderam alguém para a COVID.

São de arrebentar qualquer coração, por mais empedernido que seja, histórias duras de pessoas que vivenciaram o pior dessa doença.

Hoje, uma jovem senhora, que apavorada tomou a hidroxicloroquina por conta própria e com o filho pequeno, choroso, ao colo, que em meio a consulta disse: ” meu papai foi para o céu.”

A viúva contou da saga de quase dez dias buscando auxilio médico para o marido e recebendo em troca receitas de antitérmicos e “fique em casa”. Tinha 44 anos.

Sabem quantas histórias parecidas vivenciei? Dezenas.

“Meu pai morreu implorando pelo remédio.”

“Minha mãe não tomou o remédio por mais que pedíssemos.”

“O médico receitou dipirona e mandou para casa.”

São seres humanos perdidos.

Lembro de John Donne:

“A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Todos os dias, histórias de recusa de tratamento, de deboche, insultos e as vezes em meio à noite, ainda acordo sobressaltado, como se uma risada satânica me despertasse. Risada orgulhosa, feliz frente ao apodrecimento de muitas almas.

Não, não é pieguice! É a dor de quem enxerga no próximo a si mesmo, e na criação humana – Deus!

“Procuramos o remédio em tudo que é lugar, ninguém queria nos dar, levamos para o hospital e ele foi direto para UTI e entubado – morreu dois dias depois.”

E os médicos que adoeceram e antes negavam receitar a hidroxicloroquina? Que eu tenha observado TODOS tomaram.

“Fique em casa em isolamento e só procure auxilio médico se tiver falta de ar.”

Por Deus, misericordioso! Poucas vezes uma sentença de morte foi dada com tamanho desamor ao homem e a Verdade.

Ao doente internado era negado a hidroxicloroquina, mas era dado muitos outros antibióticos e medicações sem nenhuma base cientifica.

Anticoagulante?

De mais de mil pacientes eu observei DOIS casos de embolia pulmonar!

Cadê o poha da evidência disso?

Davam Ceftriaxone, Amoxicilina-Clavulanato, Levofloxacina, Meropenem e mais e mais antibióticos…

Cadê a maldita evidência para usar essas medicações?

QUAL O MOTIVO?

QUAL A EVIDÊNCIA DESTES?

E morreram muitos.

Pais, mães, avós. Para vocês, apenas números, estatísticas, pacientes sem nomes e compaixão.

Alimentos para aquelas valas nos cemitérios que alguns políticos abriram, semelhantes a uma imensa boca desdentada e ávidas por carne inocente.

Um genocídio.

Voegelin, filósofo gigante, afirmou que não existiam erros coletivos, que a cada um caberia a culpa pelo erro, e que somente uma sociedade expurgaria do seu meio essa mácula, se a cada homem fosse dada a reflexão necessária da parcela da sua culpa.

Não adianta virar a cara do lado – você tem culpa.

Santo Agostinho bem disse que todos os homens pagam pelos pecados dos homens que são escolhidos para representá-los.

Eu, junto a muitos amigos e colegas, ao menos lutei ao lado dos justos.

Nunca amei e odiei tanto a medicina quanto hoje em dia!


Dr. Wagner Malheiros (Pneumologista – Estudou Residência em Clinica Médica e Pneumologia na instituição de ensino Universidade Estadual do Rio de Janeiro)

 

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