O vírus passará, mas indiferença e o egoísmo serão lembrados para sempre

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras …

Essa imagem, sem dúvida, resume perfeitamente as consequências da loucura que vivemos nos últimos meses.

É a imagem do vazio e da solidão. Mas também da indiferença e do egoísmo.

Tirada no dia 19 de março, no supermercado Coles em Port Melbourne (Austrália), a foto foi publicada pelo jornalista Seb Costello.

Uma idosa pode ser vista no corredor de enlatados – já vazio – devido ao pânico que se desencadeou em decorrência do coronavírus.

O jornalista relatou que a senhora não conseguiu conter as lágrimas.

Essa imagem nos mostra que, embora o coronavírus não escolha classes sociais, quem administra a situação se diferencia SIM por classe social.

Diferenças que antes eram “suportáveis”, agora se transformaram em aberrações … que podem (literalmente) ser o gatilho entre a vida e a morte.

É também a imagem da vulnerabilidade. Daqueles que ficaram para trás. O último da fila. Daquele que ficou em casa até sentir falta de ar. Daquele que não tinha plano de saúde no Sírio Libanês.

Pessoas que ninguém leva em consideração porque já deram tudo o que tinham e perderam seu “valor social”, se tornaram invisíveis e só falta se desculparem por existir.

Aqueles que só pedem que a sociedade se lembrem deles – mesmo que seja de vez em quando.

Essa imagem ficará nos anais da história para nos lembrar de tudo aquilo que a sociedade como um todo não queria (e continua não querendo) ver.

Para dar visibilidade, finalmente, ao invisível … embora possa ser tarde demais para muitos deles.

Essa imagem é uma reclamação silenciosa. É um dedo acusatório que obriga o sistema – e cada um de nós – a confrontar a nossa consciência.

É um ‘tapa na cara’ nos dizendo que tomamos o caminho errado.

Essa imagem é o reflexo de uma sociedade muito cheia de si. Muito ocupada. Muito alienada.

É a foto que prejudica a ‘imagem’ das empresas e dos governos, porque os faz lembrar que, embora não queiram e resistam, todos têm uma obrigação social inalienável, com cada um de nós.

Essa imagem nos fará lembrar dos bilionários donos das redes sociais que fizeram mais fortuna enquanto centenas de milhares perdiam suas vidas … nos fará lembrar dos políticos e funcionários públicos que não abriram mão de sequer 1 centavo em seus salários … nos fará lembrar de uma imprensa corrupta, egoísta e ordinária.

Essa imagem nos fará lembrar dos governantes que minimizaram a morte de seus idosos e pessoas com comorbidades.

Da ajuda decretada para os vulneráveis ​​que acabam se perdendo nos tortuosos caminhos da burocracia e da corrupção … dos equipamentos superfaturados, dos medicamentos escondidos da população.

É a imagem das instituições e dos países que se esqueceram da solidariedade e optaram por um “salve-se quem puder”.

Não há nada como situações extremas para expor verdades que, de outra forma, estariam enterradas atrás de palavras doces e gestos vazios.

Nessas situações, quem somos e o quanto valemos vem à tona – como indivíduos e como sociedade.


(Jeniffer Delgado Suarez – Psicóloga – traduzido e adaptado por Patrícia Carvalho)

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