PL da Censura já nasceu morto. Uma criança de 5 anos jamais faria um projeto tão incoerente

Vou tentar ser sucinta e educada … e desde já, destaco que minhas críticas são para o projeto em si e não para as pessoas citadas abaixo.

Como o suposto objetivo de ‘colocar freio nas redes sociais’, o PL 2630/2020 tem uma única intenção: ESPIONAGEM … posso estar errada, mas não consigo pensar em outra palavra que se encaixe no atual contexto desse projeto natimorto.

Durante anos e anos, facebook, twitter, google, whatsApp e instagram vêm montando uma gigantesca base de dados de seus usuários.

Juntas, essas redes possuem mais informações que qualquer outro serviço secreto do mundo.

Informação é o motor para competitividade, para o diferencial de mercado, para as corretas tomadas de decisão.

É o que dá vida as empresas na era da tecnologia.

Aliás, a tecnologia só existe por causa da informação.

Esses ‘bancos gigantes de dados’ são simplesmente os ativos mais valiosos dessas empresas.

Pois bem …

Eis que nosso nobre senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), autor do PL 2630 e o também nobre senador David Alcolumbre querem tomar uma espécie de ‘atalho’ para ter acesso a essas informações privadas.

Não há argumento plausível que possa justificar tal absurdo.

Em linguagem corriqueira, o projeto pleiteia acesso às informações sigilosas dos usuários dessas redes … informações essas que vão desde uma simples troca de nudes entre um casal de namorados até grupos específicos de profissionais (médicos, juristas, empresários,etc…).

O que eles [autores do PL] alegam?

A argumentação usada pelos defensores do tal projeto é que existem grupos (milícias virtuais) que se aproveitam do anonimato para atacar políticos, autoridades, etc… blá, blá,blá … espalham fake news … blá, blá,blá.

Caro senador Alessandro … milícias existem nas policias, no judiciário, nos hospitais, no Congresso, enfim … criminosos sempre existiram.

E leis para punir essas ‘milícias’ já existem em nosso ordenamento jurídico … tanto no meio ‘real’ quanto no meio ‘virtual.’

Quando alguém é atacado (ou ameaçado) virtualmente, basta ingressar com uma ação na justiça e o magistrado poderá requerer a quebra do IP do criminoso e identificá-lo para uma futura punição.

“Ahhh … mas as pessoas se escondem atrás de perfis que não possuem fotos, endereço, etc…”

Quem disse que ter um perfil em uma rede social te obriga a expor suas fotos pessoais, endereço, nome de familiares, número de CPF e outros dados?

Posso sim (e qualquer usuário também pode), segundo os próprios termos de serviço dessas redes sociais, optar por ter um perfil mais ‘aberto’ ou mais ‘privativo’.

A verdade é que esse PL já nasceu morto … nem mesmo o FBI tem acesso irrestrito a essas informações … quem dirá o legislativo brasileiro.

Meu caro senador Alessandro … não sejais leviano … grupos de criminosos bem estruturados não usam facebook, instagram ou mesmo o whatsapp … essa turma usa algo chamado deep web … é lá que está a nata do crime virtual … a PF e outras autoridades já sabem disso.

Portanto, meu nobre senador, não queira se apoderar de dados que não te pertencem em nome do ‘combate às fake news’ ou vossa excelência poderá sofrer um processo cabuloso por parte de blionários como Mark Zuckerberg, Jack Dorsey (twitter) ou Larry Page (Google)

Esses ‘caras’ trabalharam anos e anos para montar as maiores bases de dados do mundo, que são ativos privados … acha mesmo que eles irão abrir seus arquivos para o Congresso do Brasil?

Quanta utopia!

Quer mesmo censurar as redes sociais, senador?

Simples … faça como na China … apresente um Projeto de Lei proibindo essas empresas de atuarem em território nacional.


 

 

publicidade


PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com