Vacinas de mRNA COVID-19 podem ser perigosas a longo prazo?

04/12/2020

(The Jesusalem Post | por MAAYAN JAFFE-HOFFMAN )

Na última sexta-feira (30), israelenses comemoraram o anúncio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que declarou ter assinado um acordo com a Pfizer Inc. para comprar sua nova vacina contra o coronavírus.

Caso a Pfizer tiver sucesso – ou a Moderna, com quem Israel também tem um contrato – essas serão as primeiras vacinas de RNA mensageiro (mRNA) lançadas no mercado para pacientes humanos.

Para receber a aprovação da Food and Drug Administration (EUA), as empresas terão de provar que não há efeitos negativos imediatos ou de curto prazo para a saúde ao tomar as vacinas.

Entretanto, quando o mundo começar a se inocular com essas vacinas (completamente novas e revolucionárias) não saberemos absolutamente nada sobre seus efeitos de longo prazo.

“Há uma corrida para vacinar o público, então estamos dispostos a correr mais riscos” …

… disse Tal Brosh, chefe da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Samson Assuta Ashdod (Israel) ao jornal The Jerusalem Post.

Quando a Moderna estava terminando seu ensaio de Fase I, o The Independent escreveu descreveu a vacina da seguinte forma:

“Ela usa uma sequência de material de RNA genético produzido em um laboratório que, quando injetado em seu corpo, deve invadir suas células e sequestrar seu maquinário de produção de proteínas das células (chamada ribossomos) com o objetivo de produzir os componentes virais que posteriormente irão treinar seu sistema imunológico para combater o vírus …”

“Neste caso, o mRNA-1273 da Moderna está programado para fazer suas células produzirem a infame SPIKE, uma proteína usada pelo coronavírus para penetrar nas células, que dá ao vírus a sua aparência de coroa (corona é coroa em latim), que deu o nome”, escreveu o The Independent.

Brosh disse que isso não significa que a vacina altere o código genético das pessoas.

Em vez disso, ele disse que é mais parecido com um dispositivo USB (o mRNA) que é inserido em um computador (seu corpo).

Não afeta o disco rígido do computador, mas executa um determinado programa.

Mas ele reconheceu que existem riscos únicos e desconhecidos para as vacinas de RNA mensageiro, incluindo respostas inflamatórias locais e sistêmicas que podem levar a doenças autoimunes.

*** Doença autoimune é uma condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano. Ou seja, as células acabam agindo contra o próprio organismo. ***

Brosh comparou a vacina de mRNA às vacinas tradicionais, como as da gripe, que usam um vírus inativado que foi destruído pelo calor ou produtos químicos para provocar uma resposta imune sem infectar o receptor.

Outros, como no caso do sarampo ou da caxumba, usam um vírus enfraquecido que não é capaz de machucá-lo, mas ainda pode treinar seu sistema imunológico para combatê-lo.

AstraZeneca (da Universidade de Oxford), o Sputnik V (da Rússia) e Brilife (do Instituto de Pesquisa Biológica de Israel) são todos baseados em tecnologias mais tradicionais.

MICHAL LINIAL, professora de química biológica da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse ao Post que acredita que não há motivo para preocupações.

Linial explicou que “o mRNA é uma molécula muito frágil, o que significa que pode ser destruída com muita facilidade:

” Se você colocar o mRNA na mesa, por exemplo, em um minuto não sobrará nenhum mRNA. Isso é o oposto do DNA, que é o mais estável possível.”

A preocupação maior não deve ser se o mRNA entrará ou não nas células e se ele [o mRNA] ficará do lado de fora, flutuando no corpo e causando algum tipo de reação.

Em vez disso, a preocupação deve ser a seguinte:

“Se ele não entrar nas células, se desintegrará e, portanto, será ineficaz”

A professora de bioquímica explica que, embora a Moderna e a Pfizer sejam baseadas em novas tecnologias de vacinas, elas estão pedindo aos nossos corpos que façam algo que fazem todos os dias: a síntese de proteínas, processo pelo qual as células produzem proteínas.

Moderna e Pfizer estão simplesmente entregando uma sequência específica de mRNA para nossas células.

Uma vez que o mRNA está na célula, a biologia humana assume.

Os ribossomos leem o código, constroem a proteína e as células expressam a proteína no corpo.

Linial acredita que a razão pela qual nenhuma vacina de mRNA foi desenvolvida até hoje é porque simplesmente não havia necessidade de se mover tão rápido em uma vacina até que a COVID-19 surgisse.

Ela observou que a maioria das vacinas que as pessoas tomam hoje foi desenvolvida décadas atrás.

Suas preocupações têm menos a ver com o uso de mRNA e mais a ver com a eficácia a longo prazo da vacina, bem como outros desafios que podem fazer algo dar errado e levar as pessoas a acreditarem que estão vacinadas, quando na verdade não estão.

Por exemplo:

Ela disse que, como o mRNA é tão frágil, a vacina da Pfizer deve ser armazenada a 70 graus Celsius negativos. Se o ambiente ideal não for mantido, a vacina pode “estragar” e se tornar ineficaz.

Além disso, várias questões permanecem, como se essas vacinas serão realmente capazes de montar uma resposta imunológica suficientemente protetora e quanto tempo essa imunidade durará.

“Seria o pior [cenário] se as pessoas se comportassem como se estivessem imunes, mas ainda assim pudessem ser infectadas”

Tal Brosh, chefe da Unidade de Doenças Infecciosas, acrescentou que o país e o mundo devem ser cautelosos sobre qualquer uma das vacinas candidatas até que os resultados finais de seus ensaios de Fase III sejam revisados ​​por pares e publicados.

Mas ele disse que assim que esses estudos forem publicados e as vacinas aprovadas, não há problema em tomá-las.

“Teremos um perfil de segurança por apenas um certo número de meses, então, se houver um efeito [negativo] de longo prazo após dois anos, não podemos saber”

“As vacinas clássicas foram projetadas para levar 10 anos para serem desenvolvidas. Não acho que o mundo possa esperar por uma vacina clássica”

Quando questionada se tomaria a vacina imediatamente, a professora MICHAL LINIAL respondeu:

“Não vou tomá-la imediatamente – provavelmente não pelo menos no próximo ano … Temos que esperar para ver se realmente funciona.”

 

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