Violentando a língua portuguesa, prova da Aeronáutica cita linguagem neutra

28/06/2021

Qual o próximo passo? Dizer que o avião não tem gênero e pode ser chamado de ‘a avião’

(por Ludmila Lins Grilo, Juíza de Direito da Vara Criminal e da Infância e da Juventude)

A prova para Oficial de Apoio da Aeronáutica trouxe o tema “linguagem neutra”.

Os textos apresentados exaltavam a referida imbecilidade com ares de grandes evoluções linguísticas, tentando elevá-la à categoria de assunto sério e de honorável respeitabilidade.

Foi extraído um texto do Jornal da USP, da lavra da professora Heloísa Buarque de Almeida, que dizia que a “linguagem inclusiva pode ser considerada um movimento social e faz parte da evolução da língua”, um “movimento social de transformação”.

O segundo texto era sobre o tal do “preconceito linguístico” – aquela impostura que diz, basicamente, que não existem erros de português, mas tão somente “variações linguísticas”. Enfim, aquela ideia que serve para rebaixar o idioma a qualquer coisa acima de grunhidos e rabiscos: desde que você consiga se comunicar, tá valendo!

O terceiro texto, do escritor Sérgio Rodrigues, parece ter sido inserido ali para dar uma aura de “isenção”, já que o autor acredita que a linguagem neutra não irá pra frente: “a novidade terá fôlego curto. Línguas mudam o tempo todo, mas não assim”.

Parece um texto inofensivo, mas note bem: o autor chama a linguagem neutra de “novidade”. Tendo ele querido isso ou não, ele acabou normalizando a discussão, tratando a coisa com algum ar de respeitabilidade, acabando por legitimá-la no mundo.

Apesar de a Constituição Federal conter expressa previsão de que “a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”, verifica-se que não houve qualquer zelo na conservação de nosso idioma por parte de quem deveria defendê-lo.

Trata-se de prova aplicada no bojo das Forças Armadas, cuja função institucional é justamente a defesa da Pátria, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem.
Se você não percebe a gravidade disso, é hora de começar a enxergar para além do que viu no Jornal Nacional.


 

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